Num dia qualquer de outro ano passado (obviamente), me lembro de algo interessante que desejo, de forma livre, compartilhar com vocês. Na minha vida, conheço pessoas do lixo e pessoas do luxo, as mais esperançosas pessoas e as mais desacreditadas da humanidade, há também as desequilibradas em contraste com as pessoas frias em quaisquer situações, em suma, houve e continua havendo abismos entre as diversas pessoas que conheço e isso, de um modo ou de outro, sempre me ajudou a conceituar a iniqüidade da vida nos mais diversos parâmetros. Sem me deixar divagar, já conto a vocês que se trata de um dia que, por ventura, na faculdade, não queria assistir determinada aula e fiquei a observar o movimento pela redondeza, no pátio, na quadra, na cantina, pensando, inclusive, em fatos cotidianos, eis que um jovem chega e começou a conversar, mas de maneira jamais imaginável, pelo menos eu jamais imaginei que alguém pudesse ali, mandar uma indagação profunda para a iniciação de uma conversa comigo, o estranho. E eis o que o jovem disse, se aproximando: “Já parou e perguntou POR QUE eles e nós precisamos disso? Disso tudo...”. Naturalmente, eu fiquei desconcertado, aliás, nem consegui entender a concepção da pergunta daquele cara, respondi por instinto que não, que nunca tinha me perguntado sobre, ele ficou por uns longos minutos num silêncio ensurdecedor, depois eu tentei me expressar, mas não consegui, ele completou, de maneira menos sucinta que sua pergunta inicial: “Nós precisamos de outras coisas e, no entanto, estamos aqui procurando algo que nem sabemos o que é, né?”. Sinceramente, eu nem lembro muito bem o que comentei ou se a conclusão dele teria sido bem com essas palavras, mas foi, sem dúvida, um dia que não me sai da memória e que me fez pensar até mesmo no que eu estava buscando num curso de faculdade, no que as pessoas buscavam, em qual era o centro de razão de uma coisa muito provavelmente irracional. Encontrei esse cara, outras três ou quatro vezes, em lugares tão improváveis quanto a sua frase inicial daquele dia e desejei muito perguntar se ele descobrira o que estava perseguindo, depois notei que não se tratava de saber do que se persegue ou o que se sonha, muito menos saber do que se precisa, se tratava de não temer estar errado sobre.
Nossos medos são como calendários passados: aguardam na estante até que você os troque por outros.
Rodrigo Seledon.
Nenhum comentário:
Postar um comentário