sexta-feira, 25 de março de 2011

Não só admirando, mas participando da história de um ídolo.

Pessoal, gostaria de compartilhar um texto de um grande amigo com vocês. Eis:

"Bom dia, amigos.

Hoje vou mandar mais um daqueles meus “textinhos”. Quero compartilhar este sentimento com todos vocês.


Falarei de um cara, cujo personalidade em si eu tive que aprender a admirar com o passar dos anos. Confesso que no início eu tinha ciúme. Ele estava roubando o lugar do meu ídolo de infância. Mas conforme crescemos, começamos a pensar que isso é besteira, deixamos de lado e apenas curtimos o momento.

Rogério Ceni encerrará a carreira em breve. Eu já me sinto triste antecipadamente. Lembro-me da minha sensação quando o Raí foi embora a primeira vez, lembro também de quando ele parou. Lembro de quando Lugano e Luís Fabiano deixaram o Tricolor. São sensações tristes. Com o Rogério Ceni vai ser isso multiplicado por 10. Por isso curto cada momento, cada jogo, cada gol, cada novo recorde por ele quebrado. Aos amigos palmeirenses deixo esta dica. Curtam cada momento de São Marcos, pois depois destes dois o futebol vai demorar um tempo pra voltar a ser igual (se é que voltará).

Domingo uma nova marca pode ser quebrada. Avisem seus filhos, seus sobrinhos. Avisem todas as crianças que ainda não têm noção de mundo que domingo elas verão algo que os filhos e netos delas apenas verão em vídeos, livros ou apenas ouvirão os outros falarem. Além de avisá-los, tenham ciência de que vocês verão algo parecido com o que seus pais, tios e avós contam sobre Pelé, sobre Garrincha. DOMINGO VEREMOS A HISTÓRIA ACONTECER.

E por que eu tenho certeza que será domingo? Tenho certeza pois o Universo conspira. Quiseram os Deuses da bola - os mesmos que assopraram para que a bola chutada por Raí fizesse aquele parábola perfeita em 92, os mesmos que jogaram a bola nos pés do Müller naquele pulo tosco em 93, os mesmos que carregaram Rogério Ceni até o ângulo na cobrança de falta de Gerrard em 2005 - que fosse nesse jogo, contra este adversário em toda circunstância histórica - de não vencê-los há um tempo - em que nos encontramos. Quiseram os deuses da bola que fosse após uma derrota feia. Quiseram os Deuses da bola que fosse após três falhas do Mito. Quiseram os Deuses da bola que seu nome desse para fazer trocadilho com a palavra cem (CEMNI), quiseram os Deuses da bola que para cada ano de vida do adversário, existisse um gol na carreira de Rogério.

Pra mim está tudo claro, está tudo no ar. É só sentir.

No início eu não admirava o Rogério, principalmente, por sua visão (quase) pessimista do mundo. Com o tempo aprendi admirar o ser humano Rogério Ceni pois percebi que ele acredita em uma palavra que eu aprendi a acreditar nos últimos dois anos: TRABALHO. E o trabalho levou o homem Rogério Ceni a ser ínfimo diante da figura Rogério Ceni. A figura Rogério Ceni que ganhou  Paulistas, Brasileiros, Libertadores, Mundiais (mais do que a maioria dos times por aí). A figura Rogério Ceni que se tornou o cara que mais vestiu a camisa de um dos maiores clubes do mundo (e só vestiu ela). A figura Rogério Ceni que se tornou o maior goleiro artilheiro da história. A figura Rogério Ceni que reinventou o modo do goleiro jogar futebol, tal qual Pelé mudou o modo do mundo ver futebol.

A figura Rogério Ceni que é indiscutivelmente o maior ídolo da história do São Paulo Futebol Clube chegará domingo a uma marca que nenhum outro goleiro jamais chegará. A marca atual já não será alcançada, a marca atual já o torna o maior da história - e qualquer opinião contrária a esta é tão fanática quanto este apaixonado texto – mas o homem tem seus vícios, o homem tem suas crenças e o número redondo, os três dígitos, os dois zeros fazem o homem admirar, o homem sonhar. Rogério Ceni já é tudo que falei, mas o seu momento mais narrado na história será o número 100. O momento comparado a Pelé, será o número 100. A marca 100 será buscada pelos demais, tal qual Romário, Túlio e tantos outros que até inventam gols para atingir a marca de 1000 de Pelé.

Durante um tempo eu tentei abolir os ídolos, mas percebi que isso me tornava um homem com menos afinco. Portanto, hoje digo sem medo que o homem precisa SIM de ídolos, o homem precisa de referências, o homem precisa de heróis (e o meu herói sabe voar). O homem precisa, pois o homem tem que ser criança em alguns momentos. E quando um homem se torna referência dos demais cabe chamá-lo de exageros como mito, lenda, etc.

E um dos meus heróis é, com muito orgulho, Rogério Ceni.

E nenhuma frase resume tão bem o sentimento como “todos têm goleiro, só nós temos Rogério Ceni”."

Por Marcel Ribeiro.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vida que há,


Numa tarde qualquer, Artur pegou o violão, não conseguia mais compor as canções de outrora, sentia que algo escorria entre seus dedos, era a vida se espalhando, indo pra fora, muito longe. Correu para o quintal, o violão foi ao chão, uma corda estourou, ao chegar do lado de fora, avistou o céu azul que implorava para ficar sobre sua cabeça, hesitou em continuar, os pássaros voavam soberanos e soavam as notas que Artur deveria retomar no violão, o cão deu um latido estridente indicando quando começar, o mundo girava rápido demais e as sensações eram muito pesadas, quis abandonar o barco, mas o barco já o havia abandonado, quando notou, estava à deriva, dentro de suas próprias ilusões, foi difícil aceitar os medos, pior ainda foi vencê-los, mas quando a escuridão começou a inundar aquela tarde, o rádio tocou a canção que há muito tempo esperava, ouviu, virou e caminhou em direção ao quarto. Não entendia como recomeçar, como reaprender a andar depois de tanto tempo, como viver depois da  morte, era um mês de festas de São João, as pessoas estavam eufóricas e tão quentes quanto as fogueiras que acendiam e ao primeiro reencontro com o  sensível instrumento, Artur sentiu a vivacidade, mas faltava uma corda e ele não tinha uma reserva, porém, superou essa ausência e prosseguiu como seguia com a vida: improvisando.
Não há mais sangue no chão da cozinha, não há mais desenhos negativos no caderno, não há mais dúvidas e não há mais certezas, restou algo intangível a que se apegar, restou a fé. E quando há fé, nenhum fantasma pode voltar a assombrar, nenhuma dúvida pode voltar a te inclinar, nenhuma certeza pode voltar a te enganar, ninguém mais pode te governar. 

A vida é como uma pipa: Depende de alguns atributos para se fazer fluente.